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Caro Daniel, devemos dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.
Caro amigo Osmar, bom dia.
Sem saber das razões pelas quais, muito gentilmente, me enviou este e-mail, mas sendo eu um ouvinte e colaborador da Rádio Melodia há tempos e não apenas a partir do dia 20 de abril p.f., e acima de tudo por conhecer a linha de pensamento da rádio e a sua própria opinião a respeito das coisas que assistimos, não posso comungar em gênero, número e gráu com o Sr Daniel, reservando-me na obrigação de comentar tal texto.
"Caro Daniel, devemos dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus. Simples questão para que não se misture as coisas. Não invoque Deus em questões onde Ele, por razões óbvias, não atua, não interfere, não opina e tampouco decide. Deus não decide coisas terrenas, por isso nos deu o uso do livre arbítro e nos cobrará por isso seja essa cobrança do modo como queira entender; Deus não tem interlocutores em assuntos passageiros, visto que é onipresente; Deus não interfere em nada e nem poderia, pois desta forma como haveria de saber os que merecem a coexistência cósmica universal entendendo essa forma de continuidade do modo como acharmos melhor? Nós, como seres cósmicos integrados a Origem haveremos de ser os continuadores da nossa própria evolução. Então não confundamos as coisas de Cesar com as coisas de Deus. Estas sim muito mais importantes e sérias que devem ser tratadas no tempo devido e com o respeito devido. Não há Opus Dei algum e tampouco nos cabe remeter aos idos de 64 (eu vivi essa época e de certa forma participei do processo de confronto da ditadura). Porém o que temos de fato é que tivesse aquela ditadura, mesmo com o custo que toda ditadura nos impõe como sociedade organizada e pacífica, terminado os seus propósitos muitas das coisas que assistimos hoje não teriam ocorrido. Muitos dos que se apoderam do poder em nome do povo não existiriam a nos atormentar novamente. Essa foi a grande falha que irá sim nos custar caro demais. Os fatos aí estão a comprovar isso. Atende para um fato: um novo golpe já foi dado!
Não pode ser tomado como crença, dogma ou seja lá como assim entender de que nenhuma folha cai sem que Deus o saiba. Não pode vir aqui a colocar Jesus como o profeta do fim dos tempos. Os tempos serão, como sempre foram findos, pois tudo aqui é perene, frágil, material. As religiões, sejam quais forem, não devem incitar os seus seguidores ao radicalismo, e nem ter mente que a ação de Jesus, já que o coloca no assunto, ao expulsar os vendilhões do templo de forma rude, brusca e até com uso da violência seja uma exemplo a ser seguido. Aqui e no seu tempo era apenas mais um figurante mortal a se rebelar, pelo seu ensinamento uma afronta ao regime espartano. Jesus, acima de tudo, foi um político ao seu modo e tempo. Todos somos! Mesmo os omissos, que na sua omissão permite as agressões a que assistimos.
Ao homem cabe o destino do próprio homem. A Deus, concebendo-O da forma como assim o desejar e aceitar, cabe a mutação do universo sobre o qual pouco ou nada sabemos. Ler teosofia poderia de certa forma ajudá-lo a compreender melhor esse assunto e compreender que evolução alguma se dará sem que haja uma fatura a ser paga. Uns com preços maiores outros com preços menores. Todos pagam a conta. Todos indistintamente!
Todas as grandes evoluções da humanidade foram precedidas por acontecimentos catastróficos, sejam eles por ações da própria natureza, sejam eles por ações do próprio homem que na sua luta interminável pelo domínio do homem o leva a esse embate.
Caro Daniel, simples seria se o homem entendesse que ele e apenas ele pode resolver os seus assuntos. Seria simples, caro Daniel, se o homem (aqui citado como uma referência da raça humana e não como uma classificação de raça com o fito de excluir a mulher) como num ato de extrema violência expurgasse, pelo voto, esse lixo todo. Mas esse homem, lamentávelmente não é assim tão livre como pensa ser para fazer uso da sua arma mais letal.
A degradação humana aí está. E não há que se falar em partidos, há que se falar em pessoas, ações, atitudes daqueles que em pretenso nome de partidos (apenas uma forma democrática de classificação) conduzem o homem contra o homem na prática de todos os tipos de violações. Não há santos e tampouco Madres Terezas de Calcutá nesse meio sórdido e corrompido.
Por fim caro Daniel, a nossa preocupação deve ser em levar ao homem a possibilidade de se espelhar na ação de Jesus e expulsar esses "novos vendilhões do templo" sem o uso de violência alguma, mas apenas usando de sua arma mais letal: O VOTO!
Pena que este, de forma consciente, não existe e tampouco existirá. Seria esse o contra golpe a ser aplicado no golpe que já nos foi dado.
Daniel o seu voto consciente poderá ajudar em muito a nos livrar ou pelo menos aliviar as consequencias que nos esperam à frente. Elas serão inevitáveis. Será a tal conta a ser paga.
Prepare o seu bolso!
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