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O PAI DE NARIZINHO VISITOU A BAHIA!
Ático Vilas-Boas da Mota, segunda-feira, 16 de novembro de 2009
O PAI DE NARIZINHO VISITOU A BAHIA!

Salvador, a cidade que já recebeu uma porção de epítetos, teve a honra – e botem honra nisso! – de receber, na longínqua década de 1940, um visitante ilustre. Refiro-me à presença de Monteiro Lobato (1882-1948), um arquimilionário de imaginação e sedento de inovação, o gigante da historiografia literária para crianças, entre nós, sendo aquele que povoou toda a minha doce infância com personagens inesquecíveis: Dona Benta, Emília, Visconde de Sabugosa, Marquês de Rabicó, Pedrinho, Tia Anastácia e, finalmente, Narizinho, a genial Lúcia, cujo prenome foi totalmente esquecido para dar lugar ao seu traço fisionômico característico: a de Narizinho arrebitado. E, assim, o apelido (Narizinho) sobrepujou totalmente o prenome (Lúcia). Aliás, é muito comum na maioria de nossas cidades interioranas acontecer este fenômeno. Todos estes personagens atuaram no sitio do Pica-pau Amarelo. Acredito que o nome deste espaço imaginário foi escolhido por Lobato como profissão de fé da sua própria personalidade, pois o pica-pau é um pássaro de extraordinária resistência e surpreendente facilidade com que esburaca os troncos. Ele, durante toda a sua vida, não fez outra coisa senão mexer em troncos bastante resistentes, a começar pelo petróleo brasileiro. Os seus personagens tomaram conta das almas infantis de ontem – e certamente tomarão daquelas de amanhã, se estas não forem hipnotizadas pela Dona Televisão, também conhecida – em determinados aspectos – como “lanterna mágica para idiotas”. De outro modo, eu acrescentaria outro maléfico titulo: Sabotadora do salutar hábito de ler. Tudo começou, na vida de Monteiro Lobato quando, a partir de 1921, ao publicar, para a nossa felicidade, as obras: “Urupês” (1918) e, sobretudo, Lúcia, a menina do nariz arrebitado (1921) inaugurando, entre nós, o ciclo da literatura para meninos, sendo considerado o nosso Charles Perrault (1628-1703 – francês), Hans Andersen (1805-1875 – dinamarquês), Irmãos Grimm (Jacob / 1785-1862 & Wilhelm / 1786-1859, ambos alemães) e o fabuloso romeno pouco divulgado no Brasil: Ion Creanga (1839-1889).


E, para dar cumprimento ao titulo desta crônica, prosseguirei: Tudo começou na vetusta e então descontraída Salvador, vestida ainda de vestígios da belle-époque. Nela vivia um excelente animador cultural, Adroaldo Ribeiro Costa (1917-1984), também ele um milionário de sonhos invulgares, que mantinha, aos domingos, na Radio Sociedade da Bahia, desde 1943, um excelente programa infantil intitulado: A hora da criança. Era uma personalidade muito criativa, dinâmica e perseverante. Sonhava muito alto. O seu programa durou muitos anos e conseguiu descobrir e redescobrir diversos talentos que, se outros benefícios não receberam, conseguiram o de, muito cedo, perder a inibição também denominada de acanhamento inibidor. Era um admirador incondicional da obra lobatiana e, como demonstração disto, adaptou o texto “Lúcia, a menina do nariz arrebitado” sob a forma de uma lindíssima opereta que recebeu o nome resumido de Narizinho! Nela, ele empregou dezenas de crianças talentosas de 6 a 7 anos. Sucesso total! Aqueles rebentos, desinibidos e saltitantes, lá no palco, pareciam muito mais borboletas, formigas, cigarras ou pirilampos que falavam e contavam como se fossem gente grande! Uma beleza! Os espetáculos foram realizados no antigo Cine-Teatro Guarani (Praça Castro Alves) e duraram muitos dias. Os ingressos, cada dia, logo se esgotavam. Monteiro Lobato, já em idade provecta, veio, em carne osso para, de olhos e alma embevecidos, assistir a estréia da maravilhosa experiência teatral infantil. Corria o ano de 1947!


Lá fui eu também assistir aquela memorável inauguração, doido para conhecer pessoalmente o autor que iluminara toda a minha infância, inclusive conseguindo, milagrosamente, que eu fizesse as pazes com os números, mediante a sua deliciosa Aritmética de Emilia (1935), pois, sempre fui refractário àquela matéria. Lembro-me muito bem de tudo naquele dia de estréia: ele entrou envergonhado um terno de linho branco, pois fazia muito calor naquela manhã estival! Estatura média, querendo virar baixa. Sobrancelhas inflacionadas, falando baixinho com os seus acompanhantes. Eu, desde cedo, me havia postado logo na entrada daquele Cine-Teatro e, desta forma, tentei vê-lo de bem perto. E o consegui. Durante aquele espetáculo de tanta beleza e repetidos aplausos, ele, muito emocionado – emocionadissimo – desmaiou lá no seu camarote de honra, no qual se lia, numa faixa dependurada, uma saudação de cujos dizeres, infelizmente, já não me lembro mais! Foi levado às pressas para o hospital. Ao sair, eu ainda o vi pálido, olhos semicerrados, sendo carregado por dois robustos enfermeiros. No dia seguinte, todos os jornais soteropolitanos abriram suas páginas, noticiando a ocorrência e a recuperação muito rápida do ilustre visitante, tudo com letras garrafais. A Bahia, sob a batuta de um excelente animador cultural e descobridor de talentos, premiado com a presença física de um gigante da nossa literatura que não resistiu à encenação de uma de suas criações, da qual participavam tantas crianças geniais! Naquele dia, acabava de ser inaugurado o Teatro Infantil Brasileiro! Creio ter sido esta a maior homenagem, em vida, àquele que merece todas as homenagens desta vida!


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