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O TRIUNFALISMO UFANISTA NUM TOPÔNIMO BAIANO!
Ático Vilas-Boas da Mota, quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O  TRIUNFALISMO UFANISTA NUM TOPÔNIMO BAIANO!

Não cultivo, não cultivei e nunca hei de cultivar o frívolo e balofo ufanismo e, por isto mesmo, jamais direi que a História do Brasil – em termos gerais – é uma obra grande, nobre e dignificante, isto é, de ponta a ponta. Jamais! Acredito que existem episódios – talvez muitos ! – que enaltecem o ser humano e, por conseguinte, o homo brasiliensis.  Mas, ao lado de muita coisa bonita, pairam, infelizmente, outras que não nos dignificam de maneira alguma! Em outra crônica, chamei a atenção dos meus caros leitores para a trapaça do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva (Séc. XVII), o Anhanguera, que ameaçou incendiar os rios de Goiás, simplesmente queimando cachaça dizendo que era água. E os pobres índios, ingênuos e puros, acreditaram naquele embuste! Pura tapeação! Puro engodo! Puro dolo! Ele era um simples invasor sem escrúpulos, um corrupto, um mentiroso! Agora, pasmem os senhores: Este gesto trapaceiro é, ainda hoje, ensinado em todas nossas escolas primárias como exemplo de grande inteligência oportunista! Lição totalmente amoral! Os alunos que aprendem isso em nossos bancos escolares serão, no futuro, os corruptos e corruptores políticos, que atualmente alimentam – para nossa vergonha! – o noticiário da mídia brasileira! Em outra crônica hei de examinar o descalabro do ensino no Brasil.


Retomando o fio da meada: Não tenho a menor admiração pelo bandeirismo expansionista por mais que me tentem convencer os historiadores ufanistas para quem “os fins justificam os meios”, principio maquiavélico, sem a mínima sustentação ético-moral, embora para alguns deles os bandeirantes são os “paladinos da construção [leia-se: expansão] territorial do país.” Pura expressão bombástica e apologia do genocídio!


Não vejo, portanto, nenhuma graça em se batizar – com a boca cheia e o peito bem estufado: Vitória da Conquista! Vitória do mais forte contra o mais fraco, do invasor contra os verdadeiros donos das suas terras? Pobres índios! Estes não dispunham de armas de fogo, pois não conheciam a pólvora – enchimento das barrigas dos arcabuses – nem o cavalo, nem o cachorro, ambos utilizados na captura dos índios que de tão livres que eram, passavam à triste condição de escravos ao serem aprisionados (“preados”). Detesto, volto a repetir, o bandeirante, pois sou um Vilas-Boas e, por tradição, defendemos as minorias injustiçadas (índios, negros, ciganos e judeus).


Os invasores bandeirantes se diziam cristãos. Cruz credo! Eram ferocíssimos à frente de suas sangrentas bandeiras, ou seja, encharcavam o chão que não era deles com o sangue dos índios. Tudo isto sem dó, nem piedade, sem qualquer gesto de generosidade! Depois das bandeiras, lá vinham as entradas, estas, geralmente eram um pouco mais brandas, porque já haviam praticamente anulado toda a resistência dos índios, aumentando-lhes o números de órfãos e viúvas e, portanto, ampliando o número de escravos. Os varões eram levados para outras terras na condição de cativos. Elas, as bandeiras, vinham, então, com seus capelães, seu catecismo, seus rosários, seus cruzeiros semeando igrejas e capelas. Neste afã de evangelizar, praticavam um cristianismo pelo avesso, haja vista, tantas práticas evangélicas contraditórias! Comprovemos: no caso de Vitória da Conquista (BA) a coisa, como em outras partes do país, não foi diferente quanto aos seus horrores! .


Não podemos – nem devemos, nem conseguimos – tapar o sol com a peneira, porque os documentos históricos falam muito mais alto: O bandeirismo não serve, de maneira alguma, como referente edificante no desenrolar da nossa história. Senão, vejamos: os índios eram os legítimos donos da terra, pois, segundo a arqueologia ali sempre estiveram há milênios. Muitas eram as tribos apontadas por estudiosos: Os mongoió, os imboré e os pataxó: O historiador Mozart Tanajura afirma: “Os mongoió eram a tribo mais famosa e mais influente sobre a história de Conquista” (cf. História de Conquista: crônica de uma cidade, p. 36). Estes índios ocupavam um vasto território e uma de suas aldeias achava-se localizada  justamente na atual praça Tancredo Neves, bem no centro da cidade. Não se pode negar que os índios resistiram o quanto puderam.


Para documentar a perfídia, a desumanidade e a crueldade do invasor, bastaria relembrar e aqui registrar o famigerado Banquete da morte, como ficou conhecido, segundo a tradição oral. Naquele traiçoeiro e covarde banquete (?) o Capitão João Gonçalves da Costa convidou os indígenas para uma festa e, enquanto estes, inocentes e desprevenidamente se divertiam, foram cercados e quase todos assassinados com armas de fogo (!!!). Esta prática repetiu-se em várias partes do nosso país. Diante disto, não preciso dizer mais nada sobre o bandeirismo triunfante! Bandeirismo carrega em seu bojo semântico o termo bandeirante e este, infelizmente, tem rimas: aterrorizante, horripilante, massacrante, infamante martirizante!


Como pode aquela cidade celebrar, anualmente, por determinação do Governo Federal o Dia Nacional do Índio (19 de abril )? Acredito que a melhor forma de se homenagear o pobre índio espoliado e massacrado – ao longo de nossa história – é deixá-lo em paz, lá nos remotos confins do interior brasileiro, onde ainda restam algumas tribos cujos antepassados – não muitos – escaparam da morte e ainda gozam de um resto de liberdade. Até quando? Será que os bandeirantes modernos não estariam repetindo – agora – os mesmos gestos infames dos bandeirantes dos séculos passados?


Infelizmente, diante destes fatos, nós brasileiros, será que podemos encarar ainda a história – pelo menos neste aspecto – sem sentirmos remorso, incômodo travesseiro de espinhos que jamais confortará o nosso sono nas prolongadas noites de insônia?

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