Nos Estados Unidos, o MRSA está vencendo os antibióticos, é transmitido pela pele e já mata mais que a aids
Staphylococcus aureus:mutações em contato com antibióticos.
O nome já se popularizou. As superbactérias seriam aquelas resistentes a antibióticos. Cada vez surgem novas espécies, provocando surtos de contágio. O mais recente, e mais grave, é o causado pela bactéria MRSA, abreviatura de Methicillin-resistant Staphylococcus aureus (estafiloco áureo resistente à meticilina). É a junção do nome da forma comum da bactéria com sua principal característica, a de sobreviver à família das penicilinas.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão do governo americano, apontou que o MRSA infectou 94 mil e matou 19 mil pessoas em 2005 - a título de comparação, a aids matou 17 mil no mesmo ano. A revelação desses números, publicados em 16 de outubro pelo Journal of American Medical Association (Jama), soou o alarme. A superbactéria está deixando os hospitais em direção às ruas. O pânico tomou conta de professores, pais e alunos, já que muitos casos de contágio acontecem entre jovens. Escolas estão fechadas desde a semana passada nos estados de Connecticut, Maryland, Carolina do Norte, Ohio e Virgínia, diz o New York Times.
Qual é a forma de contágio do MRSA? A doença é transmitida pele a pele, e não por meio do sangue ou das mucosas - e isso é o mais preocupante. O contágio pode acontecer pelo compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas, camisetas e até celulares.
Quais os sintomas? A infecção por MRSA pode se manifestar como um resfriado, com dores, febre e problemas de respiração.
Como ela atinge o organismo? A bactéria transforma pequenos cortes em infecções graves. Pode atingir pulmões, ossos e órgãos vitais. Há casos de necrose, diz o Jama.
Quem pode ser atingido? A maior parte das infecções do MRSA ocorreu em hospitais. Mas 14% aconteceram fora, em pessoas saudáveis, não debilitadas por outras doenças, diz o Wall Street Journal. Apesar do receio das escolas, crianças de 5 a 17 anos são o grupo menos atingido. Universitários que jogam futebol são mais vulneráveis pelo contato físico em momentos de baixa imunidade, diz a Newsweek.
Como o MRSA ficou resistente aos antibióticos? O estafilococo é o tipo mais comum de bactéria. Vive na pele e no nariz sem causar problemas. Como é mutante, no entanto, ganha resistência ao entrar em contato com antibióticos de forma inadequada, em tratamentos incompletos ou casos sem indicação, diz o Los Angeles Times. Também pode ser transmitido pela carne animal. Antibióticos são misturados a rações para que o frango ganhe resistência e aumente de peso.
Essa superbactéria pode chegar ao Brasil? Sim. Uma outra superbactéria resistente a antibióticos, o Enterococcus faecium VRE (enterococo resistente ao antibiótico vancomicina), que vive no intestino, já fez mais de 50 vítimas no Rio de Janeiro nos últimos dias. O enterococo pode trocar material genético - algo bastante comum em micróbios - com o estafilococo. Como este último é bastante comum, isso poderia causar ainda mais vítimas.
O que pode ser feito? Evite trocar camisetas, toalhas e objetos pessoais. Cuidado com cortes e lesões. Lave sempre mãos e boca. Uma vez infectado, o paciente deve ser tratado sob prescrição médica à base de fortes antibióticos, como Zyvox e Cubitin.
É o caso de ficar alarmado? Não. A maior parte dos infectados estava nos hospitais - ou seja, já apresentava resistência baixa. Quando se trata de comparações, é preciso levar em conta que a aids é hoje uma doença muito mais controlada que há 15 anos. Por isso, nos Estados Unidos, houve mais mortes em decorrência do MRSA que do HIV. Mas é preciso ficar alerta com possíveis casos no Brasil, já que as condições sanitárias e hospitalares americanas são, em geral, melhores.
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